A APATA

O redesign da Apata

Entenda o projeto pelo ponto de vista da Plano ah!, a empresa que desenvolveu o trabalho.

Texto originalmente publicado aqui.

O REDESIGN DA APATA – Associação Protetora dos Animais de Taquara/RS

Tudo começou com uma combinação: a vontade de ajudar uma entidade protetora de animais e a necessidade de desenvolver um projeto de conclusão para a Especialização em Design Estratégico da Unisinos.

A Plano ah! procurou a Apata e passou uma breve idéia do que é o Design Estratégico. Isso foi em 03/05/2011. Depois da conversa, perguntamos se eles estavam a fim de passar por esse processo de forma experimental e gratuita. E mesmo sem saber de onde tinham saído aquelas duas loucas falando de coisas abstratas, eles concordaram!

Naquele dia, o que eles nos pediram foi que o projeto, de alguma forma, ajudasse a organizar a associação, tornando-a mais profissionalizada; pediram que a gente conseguisse atrair mais voluntários e arrecadar mais recursos financeiros, pois essas são as chaves para conseguir aumentar os atendimentos aos animais.

Começamos, então, nossas pesquisas contextuais – muitas delas: dados secundários, pesquisas qualitativas, netnografia e observação participante, para citar algumas. Transformamos nossa casa em lar temporário de cães e gatos, mergulhando profundamente na realidade do problema para entender o máximo de variáveis possíveis. Chegamos a ter 16 cães e 5 gatos ao mesmo tempo, participando ativamente do processo de divulgação e busca de lares para todos eles!

Paralelamente, atendemos adotantes, fizemos resgates e assumimos a comunicação e o relacionamento da Apata nas mídias sociais para saber o que as pessoas falavam e pensavam a respeito da entidade.

Depois de um mês, tudo que tínhamos visto e reunido de informações nos mostrou três sujeitos e seus comportamentos:

 

Percebemos que havia um círculo vicioso do pior tipo: enganos que geram uma imagem ruim.

 


Depois disso, ficou claro para nós que os pedidos da Apata – mais voluntários e mais recursos – seriam o resultado final de um grande trabalho prévio para informar corretamente como a associação atua, retomar a credibilidade e construir um relacionamento com a população.

Começamos a planejar o redesign com 3 premissas básicas:

1/ Temos que criar uma identidade para a Apata – não apenas um novo visual, mas uma nova essência que a caracterize: valores, sonhos, princípios.

2/Temos que criar uma estrutura que receba bem novos voluntários e que cresça de forma orgânica, descentralizada. Assim, quando os interessados surgirem, a base estará pronta.

3/Temos que informar loucamente todo mundo sobre tudo: as pessoas precisam saber para poder entender. Precisam saber para poder ajudar.

Com isso em mente, trabalhamos alguns meses com várias ferramentas de design com um grupo de oito pessoas – foram sessões de brainstorming, criação de cenários, definição de personas, pesquisas de estímulo e vários conceitos analisados até estar tudo amarradinho.

A principal mudança decorreu da compreensão de que continuar atuando como a Apata vinha atuando – apenas no socorro de casos emergenciais– é a mesma coisa que "enxugar gelo". O trabalho vai durar centenas de anos e não mostrará nenhum progresso.

Mesmo sendo impossível a atuação imediata de outra maneira, um novo mapa de oferta de serviço foi criado para a associação, trabalhando paralelamente em 4 pilares: Educação, Prevenção, Atendimento e Vigilância.

Isso significa, na prática, continuar realizando os atendimentos emergenciais, mas destinar tanta ou mais energia para evitar que os animais cheguem ao ponto de precisar de socorro. Algo assim só é possível com um trabalho mais intenso em momentos anteriores, ou seja, na educação das pessoas e na prevenção de maus tratos, de problemas de saúde e de superpopulação.

Por enquanto, a Apata não consegue atuar em todos esses pilares ao mesmo tempo, mas essa é a proposta que ela está fazendo à comunidade: se a ajuda vier, o projeto será possível e vai ser muito legal fazer parte disso!

Para permitir a atuação em todos esses pilares ao mesmo tempo, a Apata foi estruturada em forma de núcleos:

  • Atendimento
  • Resgate e transporte
  • Lares temporários
  • Educação
  • Eventos
  • Administrativo
  • Comunicação
  • Projetos
  • Jurídico
  • Produtos

Detalhamos o propósito de cada núcleo e as atividades que as pessoas podem desempenhar. Cada membro ficou responsável por um ou mais núcleos e vai coordenar os voluntários que optarem por trabalhar com ele. Assim, com uma organização celular, as poucas pessoas que faziam um pouco de tudo ficarão menos sobrecarregadas e a Apata conseguirá uma atuação mais consistente.

Ao mesmo tempo que definíamos os serviços que seriam prestados à comunidade, tínhamos que pensar de forma integrada na comunicação – que era o fator central de tudo – e na experiência que a Apata gostaria de proporcionar às pessoas que tivessem contato com ela.

Mapeamos os pontos de contato e a experiência ao longo do processo de adoção (ou apenas de contato com a associação por curiosidade ou simpatia). Deste momento saíram muitas coisas legais, como as parcerias com veterinários e pet shops para conceder descontos em consultas e banhos para os animais adotados da Apata – medida de prevenção e cuidados com a saúde.

Foi nesta etapa, também, que vimos a importância que o novo site, o blog e as redes sociais teriam no projeto, pois como a Apata não tem sede, nem abrigo, a internet é a plataforma de comunicação e relacionamento com as pessoas – e seria em grande parte essa plataforma a responsável por fundamentar uma nova imagem da associação.

 

Uma surpresa extremamente agradável que tivemos foi com o relacionamento através do Facebook. Nada novo estava no ar, apenas a forma de se comunicar! E isso fez com que dobrasse o número de adoções em poucos meses! Também estavam aparecendo interessados em ser voluntários, outras pessoas fazendo doações e convites de veículos de comunicação para que a Apata falasse mais sobre seu trabalho! E a gente pensava: o projeto nem foi para a rua ainda e as coisas já estão acontecendo!

Ainda falando em imagem, uma preocupação que tínhamos é que a nova identidade fosse mais inclusiva. Afinal, até este momento, o logotipo da Apata era um cãozinho com seu osso, o que fazia muitos acreditarem que os gatos não eram atendidos!

No desenvolvimento do novo logotipo, além do cão e do gato, os principais valores que deveriam ser passados eram ligados ao espírito alegre dos animais saudáveis e bem cuidados: amor, diversão, leveza e, se essa palavra existisse, "queridice"!

 

 

Para que o pilar Educação fosse mais abrangente do que o trabalho planejado para as escolas (que só será realizado a partir de 2012), foi desenvolvido um toy art educativo, acompanhado de uma cartilha para as crianças. Essa cartilha passa informações sobre os cuidados que os animais merecem – tudo em forma de tarefas para serem cumpridas. O nome do brinquedo, Sr. D, também foi escolhido para quebrar um pouco o preconceito contra os animais sem raça definida, chamados popularmente de SRD.

Ainda que o público principal sejam as crianças, nada impede que o brinquedo seja colecionado por adultos, já que uma nova versão será lançada por estação – o primeiro exemplar vem com visual color blocking, acompanhando o que se está usando por aí.

Além de disseminar a informação de uma maneira lúdica, o toy art foi pensado para ser mais uma fonte de renda para a Apata. Ele é integralmente fabricado pelos voluntários, de forma artesanal, e o lucro das vendas será revertido para a ampliação dos atendimentos.

Por trás de toda e qualquer ação realizada pela Apata deste momento em diante, estarão os 4 pilares básicos Educação, Prevenção, Atendimento e Vigilância.

Focando na Prevenção, muito esforço será dedicado para promover a castração do maior número possível de animais, já que a reprodução deles é em escala e facilmente se torna um problema de superpopulação.

Uma série de conceitos explorados durante esses meses de trabalho vão ser desdobrados em novos projetos, como o ônibus-clínica que queremos ter para atender os animais da população de baixa renda nos bairros mais carentes. As linhas gerais do projeto já existem, mas ele precisa de tempo e dedicação para ficar bem resolvido. Pretendemos chegar aos 10 anos da Apata, em 2013, com ele em operação.

Outro exemplo é o trabalho de reabilitação dos dependentes químicos com o apoio dos animais. Realmente são muitas possibilidades, muitos horizontes e muito trabalho.

Caso o modelo planejado neste redesign atinja os objetivos traçados, ele poderá ser replicado em outras ONGs, promovendo inovação social em diversos outros lugares onde existam pessoas comprometidas e dispostas a trabalhar pelo bem dos animais.

Em maio de 2011, a Plano ah! ofereceu para a Apata um projeto abstrato e que exigia muita dedicação. Seis meses depois, esse projeto é apresentado ao público já colecionando uma série de sucessos e isso só aconteceu porque os membros da associação realmente estavam dispostos a encarar a mudança que foi proposta. Lá atrás, eles não sabiam se as coisas dariam certo – na verdade, eles nem sequer nos conheciam bem. Muitas vezes, avançamos com passos de formiga; outra vezes, foram verdadeiros saltos no escuro. O medo do risco sempre esteve lá, mas existe realmente algo de mágico em lutar por uma causa: parece que isso faz as pessoas seguirem adiante com coragem.

Método, um pouco de coragem e muito espaço para descobertas é o que fez o início desse projeto ser bem-sucedido. Para ele continuar, o que nós vamos precisar é fazer com que as pessoas vejam a mesma coisa que nós: a possibilidade de um mundo bem melhor!

EVENTOS DA APATA

Confira aqui os eventos que a Apata realiza para promover a conscientização sobre a proteção animal e arrecadar recursos.

APATA NA MÍDIA

Imprima este panfleto e coloque na caixa de correspondência daquele vizinho que pode estar cometendo maus tratos com seu animal.

VAKINHA DA APATA

Esclareça suas dúvidas sobre a Apata, nossa forma de atuação e outras questões relacionadas ao trabalho voluntário de proteção dos animais.